Mês: agosto 2017

Sampaio x Moto: a importância da paciência

Em três meses o técnico Francisco Diá passou de odiado a amado pela torcida do Sampaio. Se a derrota por 2 a 0 diante do CSA, na segunda rodada, foi motivo de protestos das arquibancadas contra o time Tricolor, a vitória por 2 a 0, na 15ª rodada, foi motivo de festa dos mesmos torcedores para o elenco e para o treinador do Tubarão após o jogo. É um exemplo claro de que nada no futebol se resolve com imediatismo.

Na época da derrota contra o CSA, Francisco Diá completava três meses no comando do Sampaio. O cenário naquele momento, apesar da estreia com vitória na Série C, era de crise interna, jogadores pedindo para sair e muita pressão pela demissão do técnico do Sampaio. Aqui entra o mérito do presidente Sérgio Frota: bancou o treinador e colhe os frutos da decisão. Algo que não é raro em sua gestão, que o diga, Josué Teixeira, Flávio Araújo e Léo Condé.

Na vitória por 2 a 0 diante do Fortaleza, quando o Sampaio encaminhou a classificação antecipada para as quartas de finais, Diá completou apenas seis meses no comando do time. Ainda pouco tempo, mas já o suficiente para o trabalho surtir efeito e a equipe, que entrou desacreditada e cotada a brigar contra o rebaixamento, virou líder e a primeira classificada para a segunda fase da Série C.

Tudo o que foi feito no Sampaio, não aconteceu no Moto, por exemplo. O Rubro-Negro, que hoje briga desesperadamente para não cair, seguiu exatamente na contramão. Ruy Scarpino, Marcelo Villar e Leston Junior foram derrubados como peças de dominó. Nenhum completou três meses no cargo, a média sempre abaixo de 70 dias. Ninguém consegue fazer um trabalho decente nesse período.

O atual técnico por conveniência Marcinho Guerreiro seguiu no comando do time após a saída de Leston por dois motivos: falta de alternativas no mercado dentro do que o Moto pode pagar por causa de sua crise financeira e porque era quem já estava no clube. Rubro-Negro atirou para todos os lados e corre sério risco de jogar todo o trabalho de temporadas anteriores por água abaixo.

Paciência é um dom e uma necessidade no futebol. O Sampaio de Francisco Diá hoje colhe os frutos, enquanto o Moto de Ruy Scarpino, Marcelo Villar, Leston Junior e Marcinho Guerreiro sofre com o ônus da falta de convicção.

Fase goleadora de Paquetá é a esperança do Moto contra o Cuiabá

O maior erro durante a passagem de Leston Junior pelo Moto foi preterir Vinícius Paquetá para bancar Rafamar no ataque Rubro-Negro durante a Série C. Desde a saída do treinador e com Paquetá recuperando a titularidade, Paquetá explica exatamente o tamanho desse erro.

Enquanto Rafamar marcou apenas dois gols em seis jogos na Série C, com a mesma quantidade de jogos como titular, Paquetá já fez quatro gols. Como era utilizado como reserva por Leston, Paquetá ainda acumula seis jogos em que atuou sob o comando do antigo treinador, mas na maioria entrava durante o segundo tempo. Na única chance que teve como titular, na derrota diante do Cuiabá fora de casa, o atacante acabou passando em branco.

Apesar disso, Paquetá reencontrou sua fase artilheira no Moto e com os quatro gols anotados até agora na Série C, é o artilheiro do Rubro-Negro em 2017, balançando as redes 10 vezes. Infelizmente, o ressurgimento do artilheiro do Moto no ano acontece, aparentemente, tarde demais.

Para ter chances de derrotar o Cuiabá, que está invicto fora de casa, Marcinho Guerreiro precisará contar com o faro de gol apurado de seu goleador. A tendência, é que assim como em todos os jogos no comando do time, o Moto seja extremamente reativo e tente ser preciso com o mínimo de ofensividade possível. Uma vitória contra o Cuiabá é crucial para qualquer sonho de permanência na Série C.

Moto paga o preço pelas oportunidades desperdiçadas

O Moto teve três grandes oportunidades para se afastar da zona de rebaixamento e não aproveitou. A vitória do Confiança sobre o Botafogo-PB recoloca o Rubro-Negro nas duas últimas colocações. Os comandados de Marcinho Guerreiro pagam a conta pelas oportunidades perdidas.

Dentre essas três oportunidades, talvez, apenas uma não estivesse nos planos do Rubro-Negro, um triunfo diante do CSA. Na 13ª rodada, em São Luís, o Moto abriu o placar contra o, até então, líder do grupo A, com gol de Vinícius Paquetá. Novamente um gol nos acréscimos impediu a conquista de três pontos pelos comandados de Marcinho Guerreiro. No fim das constas, um empate contra o líder, mesmo em casa, nem pode ser considerado tropeço.

A grande chance perdida foi mesmo contra o Confiança. Confronto direto e fora de casa, com a chance de abrir três pontos diferença para os sergipanos e ganhar uma folga na briga contra o rebaixamento. Paquetá abriu o placar no primeiro tempo e o Moto segurava a pressão. Até os acréscimos. Frontini apareceu e empatou.

Verdade que o Moto tirou dois pontos do Confiança em casa, mas ambos seguiam empatados em pontos na briga contra o rebaixamento. Era a chance ideal para selar os três pontos de diferença. A outra chance perdida veio na 14ª rodada, quando o Confiança perdeu para o Sampaio e o Moto retribuiu a cortesia perdendo para o Botafogo-PB, em um jogo onde também chegou a ficar na frente do placar, vencendo por 2 a 1, mas terminou perdendo de virada, por 3 a 2.

Agora na zona de rebaixamento, o Moto vê o risco real da queda ser selada, até com antecedência. No pior cenário, o Botafogo-PB precisa vencer o ASA, o que não é difícil, e o Confiança teria que surpreender e vencer o Fortaleza, junto com um tropeço do Rubro-Negro diante do Cuiabá. A péssima temporada do Papão vai chegando ao fim com mais dramas do que o esperado.

Salgueiro 1×1 Sampaio: Tricolor arranca empate e mantém série invicta

O gol de Diego Silva no segundo tempo garantiu o empate em 1 a 1 para o Sampaio, no Cornélio de Barros. O resultado não garante a liderança do grupo A ao fim da rodada, para seguir na ponta, o Tricolor maranhense terá que torcer por um tropeço do CSA, que encara o Fortaleza, na capital cearense. Em compensação, a série invicta do Sampaio continua, agora com cinco jogos sem derrota.

Ainda no primeiro tempo, Cassio Ortega abriu o placar para os donos da casa. Nas últimas partidas, quando jogou longe de São Luís, Isac teve um papel fundamental para os resultados do Tricolor, dessa vez o atacante foi mais um em campo.

Quem foi decisivo para o empate foi Diego Silva, que marcou o gol e garantiu o ponto fora de casa. A série invicta continua, mas com um preço caro também. O Tricolor viu o lateral Esquerdinha, o zagueiro Maracás, o volante Zaquel e o atacante Isac serem premiados com o terceiro amarelo, desfalques certos para o confronto contra o Remo.

Como o Tricolor agora joga apenas para cumprir tabela a suspensão também vem em boa hora, o que garante a permanência de todos no jogo decisivo das quartas de final. Terminar em primeiro ou quarto não faz tanta diferença, o importante é se garantir na próxima fase, obrigação, que já foi cumprida com sobras pelo time maranhense.

Moto 1×1 Remo: individualidades decidem no Castelão

Dos males, o menor. Pelo menos o Moto pontuou diante do Confiança, mas não tem a garantia de que permanecerá fora da zona de rebaixamento. O Rubro-Negro até saiu na frente com Vinícius Paquetá, mas no segundo tempo, Jayme achou um golaço da intermediária e empatou o jogo. Na partida que, coletivamente, os dois times pouco criaram, quando as individualidades apareceram, os gols saíram.

Os dois times entraram em campo espelhados no 4-2-3-1. Enquanto Felipe Dias era quem fazia a ligação da defesa com o ataque, no Remo essa função ficava com Léo Rosa. Os paraenses se dedicaram a defender, talvez em busca de algum contra-ataque no primeiro tempo. A única boa troca de passes na etapa inicial terminou em um gol, bem anulado, por causa de impedimento de Pimentinha.

O caminho do Moto era, principalmente, com Danillo Bala pela esquerda. Tsunami fazia a marcação do atacante Rubro-Negro a todo tempo. Quando Danillo se livrou do marcador, finalizou bem e no rebote Paquetá abriu o placar já no minuto final da primeira etapa.

Assim como em todos os seus jogos, o Moto faz o gol e passa a se defender. O Moto virou o Remo do primeiro tempo e vice-versa. Assim como o Rubro-Negro no priemiro tempo, o Leão paraense tinha dificuldade para invadir a área, o que só conseguia quando a bola chegava nos pés de Pimentinha, mas nunca terminava em uma jogada perigosa. O gol veio de um lampejo, com Jayme arriscando da intermediária e marcando um golaço, contando com Saulo bem adiantado.

Edgar ainda entrou logo no início da segunda etapa, mas dessa vez não foi problema para o Rubro-Negro. O empate pode até ser o suficiente para manter o Moto fora da zona de rebaixamento, já que o Confiança visita o Botafogo-PB no Almeidão, mas o recuo durante toda a etapa final e o posicionamento adiantado de Saulo, além de dois gols perdidos por Paquetá, foram cruciais para que o Papão não conquistasse sua segunda vitória seguida.

Para pontuar contra o Remo, Moto precisa parar o rival Edgar

Emprestado pelo Sampaio ao Remo, Edgar não deixa a rivalidade com o Moto de lado, mesmo em um Estado diferente. Desde 2015 o atacante não deixa de balançar as redes do Rubro-Negro quando está em campo. Para pontuar no sábado, será crucial ao Moto saber como parar o atacante, que tem no seu típico chute de direita a ´rincipal arma.

O histórico de Edgar contra o Moto conta com seis gols marcados nos últimos seis confrontos. Desde 2014, quando o atacante saiu do campo em branco nos quatro jogos que fez naquele ano, Edgar não ficou mais sem atormentar a vida do Moto.

Pelo Remo, o atacante marcou um dos gols da vitória por 3 a 2 no primeiro turno da Série C. Em 2016, pelo Sampaio, apesar de ver o Rubro-Negro ficar com o título maranhense, foram quatro gols do atacante nos quatro jogos disputados.

Fechando o histórico recente, está um gol no único clássico entre as equipes no Campeonato Maranhense de 2015. Ainda naquele ano houve um amistoso na pré-temporada, que o Sampaio venceu por 2 a 1, com gols de Gil Mineiro e Leomar.

Moto e Edgar se reencontrarão no sábado. O atacante não deve ser um dos titulares do Remo, mas há a chance de entrar no decorrer do segundo tempo. Com o histórico recente, a defesa rubro-negra não pode vacilar no confronto decisivo para a permanência do Rubro-Negro na Série C.

Sampaio e Salgueiro tem as melhores campanhas do returno na Série C

No sábado, Salgueiro e Sampaio entrarão em campo na 16ª rodada da Série C, levando junto o posto de serem as duas melhores equipes do grupo A no returno da Série C. Com cinco vitórias e um empate, o Tricolor maranhense é quem detém a melhor campanha nos últimos seis jogos, enquanto o Carcará, que conseguiu se recuperar e deixar a briga contra o rebaixamento para sonhar com a classificação para as quartas de final, conta com quatro vitórias e duas derrotas.

O Sampaio, já classificado para as quartas de final, defende a liderança do grupo A e entra com o favoritismo impulsionado pela excelente campanha que faz fora de casa. Nos sete jogos como visitante, foram quatro triunfos, apenas dois empates e uma derrota, o que equivale a um aproveitamento de 66,6%. Outro detalhe importante nesses jogos fora de casa é que o Tricolor só não balaçou as redes adversárias diante do Fortaleza, exatamente quando sofreu a única derrota como visitante.

Do lado do Carcará chama a atenção como a equipe arrancou da briga contra o rebaixamento para o G-4 em uma sequência que conta com cinco vitórias e apenas duas derrotas nos últimos sete jogos. Considerando apenas o returno, são três triunfos e duas derrotas, ambas fora de casa. Jogando ao lado de sua torcida, o Salgueiro conquistou os nove pontos possíveis nos últimos três jogos e aqui cabe destacar a defesa: com apenas um gol sofrido.

Com o retrospecto recente das duas equipes, o confronto de sábado a noite promete uma boa partida. O Sampaio terá algumas mudanças, como o retorno do lateral-direito Pedro e as entradas do zagueiro Carlos Alexandre e do atacante Reginaldo Junior no time titular. A tranquilidade impera no time Tricolor, que tenta alcançar sua quinta vitória consecutiva na Série C.

Segundinha Maranhense será sub-23

Em pouco menos de dois meses como diretor de competições da Federação Maranhense, Hans Nina promove uma das melhores alterações no regulamento da Série B do Campeonato Maranhense. A competição será sub-23, com a possibilidade da inscrição de, no máximo, 10 jogadores acima dessa idade. A medida fortalece o desenvolvimento de jogadores no Maranhão e possibilita a clubes, como Sampaio, Moto e MAC, emprestarem seus jovens promissores, mas ainda sem espaço nos times principais, para desenvolverem tempo de jogo.

Essa é a mudança mais significativa no torneio, que continuará concedendo apenas uma vaga para a disputa do Campeonato Maranhense. Em 2017, o Americano-MA foi o rebaixado para a Segundinha e será substituído por Timon, Sabiá, Bacabal, Chapadinha, Expressinho ou Pinheiro, que entrarão em campo de olho no acesso Estadual.

Dentre os participantes, todos já disputarão a Série A do Campeonato Maranhense em anos anteriores. O destaque fica por conta do retorno do Bacabal, que foi rebaixado em 2014, paralisou as atividades nas duas últimas temporadas e agora quer retornar com força máxima e como o primeiro time do interior a se consagrar campeão estadual.

Na fórmula de disputa nenhum inovação, com as seis equipes divididas em dois grupos de três, com jogos de ida e volante. Os dois melhores de cada grupo avançam para as semifinais e posteriormente são definidos os finalistas. Os jogos das fases eliminatórias também serão com ida e volta. A Segundinha será disputada em outubro e deve ser realizada até novembro.

Moto tem tabela mais difícil, mas retrospecto favorável

Nas três últimas rodadas da fase de grupos da Série C, Moto e Confiança travarão um duelo particular para evitar a queda para a Série D. O Rubro-Negro tem uma sequência mais difícil, mas conta com o aspecto de fazer dois jogos em casa, enquanto o Dragão sergipano, apesar de dois confrontos diretos contra o rebaixamento, terá que sair duas vezes para jogar na casa dos rivais.

Independente do local do jogo, o retrospecto nos três últimos jogos, é favorável ao Moto. No primeiro turno, o Rubro-Negro conseguiu somar três pontos na reta final, enquanto o Confiança conquistou apenas dois. Caso a situação seja repetida, o Moto garante sua permanência na Série C.

Outro dado que se mostra favorável ao Moto é exatamente o desempenho das equipes dentro e fora de casa. O Confiança conquistou apenas 19% dos pontos longe de Sergipe. Apesar do confronto contra o ASA, fora de casa, que pode ser relativamente fácil, já que os alagoanos, provavelmente estarão rebaixados na última rodada, o duelo diante do Botafogo-PB, será crucial para o Dragão.

O Moto por sua vez conta com 42% de aproveitamento jogando em casa. Sequencialmente terá um confronto contra o Remo e Cuiabá. Os dois adversários tem dificuldades para vencer fora de casa, mas vale ficar atento com o Dourado, que empatou todos os sete jogos longe do Mato Grosso e, em São Luís, conseguiu arrancar um ponto do Sampaio no primeiro turno.

De toda forma, o Moto depende apenas de si. No pior cenário basta repetir o aproveitamento do Confiança, já que com uma vitória a mais, o Rubro-Negro leva vantagem na classificação.

O ponto de virada do Sampaio na Série C

O Sampaio entrou na Série C desacreditado. Um péssimo primeiro semestre, apesar da recuperação no Campeonato Maranhense, onde já era finalista do polêmico segundo turno e da boa campanha na Copa do Brasil, mas que ficou marcado pela eliminação da Copa do Nordeste e o futebol apresentado, bem abaixo do esperado.

A chegada do técnico Francisco Diá, ainda no fim de fevereiro, não surtiu impacto imediato. Apesar do triunfo na estreia, a sequência de quatro derrotas seguidas e algumas polêmicas antes do início da Série C foram os grandes desafios do treinador. A diretoria bancou a permanência do técnico, que naquela altura do campeonato, já reformulava o elenco Tricolor, com as chegadas de jogadores como o goleiro Alex Alves, o zagueiro Maracás, o lateral-direito Pedro Costa e os atacantes Felipe Marques e Isaac, todos titulares no atual elenco.

Ainda assim não foi neste período a mudança de fase do Sampaio. Até o empate em 1 a 1 com o Remo, na oitava rodada, a campanha do Tricolor já era boa, com o time no G-4 e deixando para trás as projeções que indicavam uma luta contra o rebaixamento. A verdadeira arrancada começou no triunfo por 2 a 1 diante do Botafogo-PB.

Naquela altura da Série C, o Belo era o grande destaque do grupo A, com o futebol consistente sob o comando de Ithamar Schule, mas a fase virou. Jogando no Almeidão, o time paraibano saiu na frente com Dico, mas Isac e Hiltinho garantiram a grande virada do Tricolor. Virada dentro de campo e virada de fase, apesar da derrota que viria diante do Moto e um grande empate contra o CSA na sequência.

Após esses três jogos veio a série atual do Sampaio: quatro triunfos consecutivos, respectivamente, contra Confiança, Cuiabá, ASA e Fortaleza. Destes quatro jogos, as primeiras três vitórias podem ser consideradas como obrigação, já que eram times que lutavam contra o rebaixamento. A vitória contra o Leão cearense foi para selar de vez o grande momento do Tricolor, que colhe os frutos da paciência com a manutenção do técnico Francisco Diá e o voto de confiança, mesmo nos períodos de maior turbulência no comando.